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A ética coletivizada

Saturday, August 11th, 2007

Lendo A Virtude do Egoísmo (Ayn Rand) eu cheguei a uma linha de pensamento que eu sequer havia considerado enquanto pensava “politicamente”. Abaixo, o texto resumido:

“Ouvimos com freqüência a pergunta: “O que será feito pelos pobres e deficientes numa sociedade livre?” A premissa implícita do altruísta-coletivista é que o infortúnio de uns é uma hipoteca a ser paga pelos outros. Observe que a pergunta não é: “Alguma coisa deve ser feita?”, mas: “O que será feito?”, como se a premissa coletivista tivesse sido tacitamente aceita e só restasse discutir os meios de implementá-la.

O que nos interessa discutir aqui é a premissa coletivista de considerar esta questão como política, como um problema ou um dever da “sociedade como um todo”. Sabemos que a natureza não garante segurança automática, sucesso e sobrevivência para ninguém. Portanto, só a presunção ditatorial e o canibalismo moral do código altruísta-coletivista permitem a alguém fantasiar que pode garantir esta segurança a alguns homens à custa de outros.

Aceitar que a “sociedade” deve fazer algo pelo pobre, implica aceitar a premissa coletivista de que a vida do pobre pertence à sociedade. Essa atitude revela um mal mais profundo: o altruísmo corrói a compreensão dos conceitos de direitos e do valor da vida de um indivíduo; revela uma mente da qual se apagou a realidade de um ser humano.

Um homem que está disposto a servir como meio para outros fins, necessariamente considerará os outros como meios para seus fins. Quanto mais altruísta ele for, mais criará esquemas “para o bem do gênero humano ou da sociedade”, “do público” ou “das gerações futuras”, ou de qualquer coisa, exceto seres humanos reais—esquemas a serem impostos por meios políticos, isto é, pela força, sobre um número ilimitado de seres humanos.

A pergunta que ninguém responde sobre todos os objetivos públicos “desejáveis” é: para quem? Desejos e objetivos pressupõem beneficiários. A próxima vez que você encontrar um desses sonhadores “com espírito público”, que lhe dirá com rancor que “alguns objetivos muito desejáveis não podem ser atingidos sem a participação de todos”, diga-lhe que, se ele não puder obter a participação voluntária de todos, seus objetivos ainda serão excelentes, mas inatingíveis, e que as vidas dos homens não estão à sua disposição.”