Nunca se sabe

inrainbows

“Se eu compraria o In Rainbows caso achasse a um preço bom? Nunca se sabe.”

A despeito de tudo o que todos do universo estão falando, o preguiçoso aqui só baixou o álbum novo do Radiohead, In Rainbows, ontem. A impressão, depois de horas e mais horas ouvindo, foi positiva. Não vou falar demais sobre o álbum em si já que qualquer mortal tem acesso ao mesmo e pode tirar suas próprias conclusões, mas minhas faixas favoritas são 15 Step (eletrônicazinha, lembra o Kid A), House of Cards (popzinha, lembra o The Bends, só que um pouco mais otimista) e Faust Arp (depressivazinha mas estranhamente familiar).

Outra consideração - ops, quase esqueci - é que o Yorke às vezes emprega uma técnica de canto revolucionária chamada “voz de bebum”, que me forçou a ler a letra de House of Cards para entender algumas partes.

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Mas, então, suponho que todos já saibam que o álbum pode ser baixado pelo preço que o downloader escolher. Na verdade eu queria era levantar dois pontos sobre o disco que não têm muito a ver com a música, mas com essa, hm, érr… inovação.

Primeiro, a burocracia. Ah, a burocracia… Demora um tempinho para encontrar o link de download, mas eu falo isso mais como um baixador do que como alguém que deseja aconselhar a banda de algum modo. As informações colhidas no cadastro são certamente oportunas pro grupo. Imagine só, quão vantajoso será saber os lugares onde estão as maiores concentrações de fãs por metro quadrado. Uau. Já pensou se for em Epitaciolândia, no Acre? Nunca se sabe.

Segundo, a questão da gratuidade escolha do preço. Caso as vendas não fiquem comprometidas pela distribuição via internet, vai ser provado que o compartilhamento de arquivos não afeta o mercado - talvez, pelo contrário, ajude. Aqui no Brasil a gente tem uma experiência quase-não-oficial dessas que está se saindo bem - Tropa de Elite. Se as coisas se repetirem com In Rainbows, será que essas iniciativas vão a se tornar mais frequentes? Nunca se sabe.

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Vale a pena dar uma lida neste artigo da Reason, escrito em 97(!!), que prevê esse tipo de rumo na maneira das bandas independentes oferecerem seus álbuns. O artigo é grandinho e em inglês, mas vale a pena. Será que você vai conseguir terminar de lê-lo? Nunca se sabe..

One Response to “Nunca se sabe”

  1. Eric Says:

    Eu tenho um pé atrás com essa história do Tropa de Elite. Eles não perderam grana com isso porque apesar de bom, o filme é direto, tem quotes que cairam na boca do povo, isso sem contar a polêmica da proibição que o BOPE queria fazer em cima do filme.

    Queria ver se ia acontecer a mesma coisa com O Cheiro do Ralo por exemplo.

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