Archive for the ‘Sociedade’ Category

Para quem procura Religião

Wednesday, November 14th, 2007

Janer Cristaldo já fala demais - muito bem, por sinal - sobre o tema:

Religião é droga muito poderosa. Não deve ser ministrada a crianças. Foi Richard Dawkins, creio, que manifestou seu espanto de nos chocar a idéia de uma criança comunista, mas não nos chocamos com a idéia de uma criança católica. Em seu livro Deus – um delírio, o escritor conta uma história de terror, protagonizada pelo mestre do terror, Alfred Hitchcock. O cineasta dirigia por uma estrada na Suíça, quando de repente apontou pela janela do carro e disse: “Essa é a cena mais aterrorizante que já vi”. Era um padre conversando com um menininho, a mãe dele sobre o ombro do garoto. Hitchcock pôs a cabeça para fora do carro e gritou: “Fuja, menininho! Salve sua vida!”

De que adianta falar sobre religião? O que todo mundo precisa saber sobre religião, já sabe, ou finge que não sabe. Agora, eu só digo que se alguém se sente perfeitamente confortável sendo cristão (ou budista, ou judeu), ok, parabéns! O cara ganha o sentido da vida empacotado com um quindim qualquer - tipo a Bíblia - e passa o resto da vida assim. Por que tenho que ser contra?

Eu é que não vou ficar falando que o catolicismo é bobagem, ou melhor, que religião é meio que uma bobagenzinha que gruda no sapato da pessoa e a faz gritar disparates alucinados, toda afetadinha. Eu é que não vou falar que religião só não foi um bloqueio intelectual para aqueles que não a levaram muito a sério - ou achas que Nelson Rodrigues entrava em igreja cheia?

Não, não. Cansei.

Apesar de admirar gente como o Cristaldo, não tenho mais saco para falar sobre crendices e tampouco creio que isso faça algum efeito. Até porque, como o próprio supacitado já diz, Fé é Fogo.

Eu e o Aquecimento Global

Sunday, November 11th, 2007

Não postei nos últimos dias - caso alguém se importe com esta pobre alma, coisa que duvido - porque estive ocupado com a edição e publicação de um jornal que foi distribuido na Feira de Ciências e Tecnologia do meu colégio.

* *

O jornal, “Dossiê Planetário”, fala sobre aquecimento global. Me manter em contato com matérias sobre o assunto foi interessante, mas não ajudou muito pra convencer essa minha cabeça dura de que algumas coisas estão muito bem explicadas. Quatro pontos que eu achei preocupantes no “debate”:

1) É dito que a Terra está passando por uma crise terrível e tudo mais, mas pouco se diz a respeito de outros períodos em que o planeta esteve muito mais quente e que não resultaram no apocalipse. A explicação talvez esteja no uso da expressão corrente para falar sobre o aquecimento: a temperatura mais quente já registrada. Começaram a registrar as temperaturas em uma mini-era do gelo. Como esperam que a Terra fique no mesmo clima gélido de 1800?

Então se você acha que o aquecimento global está ameaçando os ursos polares, go and get your facts straight. Há trinta anos, a população de ursos polares era estimada entre 5.000 e 7.000. Hoje as estimativas apontam uma população três vezes maior (entre 27.000 e 29.000 ursinhos da Coca-cola).

2) O aquecimento global não agravaria catástrofes climáticas. Pelo contrário, deveria evitá-las. Nada a ver culpar o aquecimento global pelo Katrina ou coisa do gênero. Se duvida, toma, uma prova.

E tem mais, segundo Richard Lindzen, Professor de Ciência Atmosférica do MIT e integrante do IPCC:

Todo o livro de meteorologia diz que a principal fonte de distúrbios do clima é a diferença de temperatura entre os trópicos e o pólo e nos contam que em um mundo quente, essa diferença diminuiria. Isso quer dizer que teremos menos tempestades e menos variações.

3) Não existe nenhuma relação entre doenças e aquecimento global. Num artigo da Reason (traduzido por mim, não se importem com a má linguagem):

O WNV [vírus que dizem ser difundido pelo aquecimento] se espalhou nos EUA não por causa do aumento das temperaturas do planeta, mas porque, como a malária, a cólera e a dengue (antes mesmo do WNV), foi trazido por alguém através do Atlântico. Diminuir as temperaturas globais não vai adiantar para controlar essas doenças. Medidas públicas de saúde e vacinas, sim. E, obviamente, propagações de gripe não estão associadas com temperaturas altas.

4) A última coisa - que, a propósito, me faz rir - é a manipulação das imagens a favor de previsões catastróficas. Por exemplo, esse vídeo do youtube que mostra uma geleira derretendo como prova do aquecimento. Problema: a geleira não está no Ártico e não está derretendo por causa de alguma mudança de temperatura da Terra. Ela, Perito Moreno, fica na Argentina e derrete periodicamente, atraindo os turistas vistos no vídeo. Veja os comentários.

* *

Sinceramente, eu sou um leigo no assunto, mas eu sei (ou acho isso) quais são as fontes confiáveis. Pouco me importa se o aquecimento global é antropogênico ou não. O problema são essas distorções sem fim que antevêm um verdadeiro apocalipse e a imensa - infinita, talvez - ignorância das pessoas, que não se aprofundam no assunto antes de disseminarem o caos climático.

Como Vencer um Debate Sem Precisar Ter Razão

Tuesday, October 9th, 2007

Então, hoje estávamos eu e alguns colegas conversando descompromissadamente e a coisa toda se torna uma discussão. Saiu de aborto para o apocalipse, do apocalipse para os microchips e dos microchips pros EUA (leia-se, pro capitalismo). E não é que, ao falar que nós, latinamericanos, deveríamos parar de colocar a culpa no pessuár de fora e que devíamos começar a buscar maneiras de melhorar com os meios que temos, fui acusado de alienado?

Não sei do que se trata essa tal alienação (é uma música de Lali Puna?), mas disseram que isso acontece porque eu leio livros e revistas e que eu só emito opinião sobre alguma coisa depois de me informar a respeito. A solução? Parar de ler e criar minha própria opinião (cof, cof, sick).

Desisto de tentar discutir com fatos. Eles não são bem recebidos entre pessoas que acreditam que os microchips são prenúncio do apocalipse que têm sua própria opinião não-alienada.

América Torta

Saturday, August 18th, 2007

Você sabe que tem alguma coisa errada quando seu professor acha que American Pie é um filme que pode ser usado para algum fim educacional.

Todavia, supondo que ele esteja certo, pode até ser que tudo sirva para educar, mas há coisas que educam mais que outras.

O hino às vidas em potencial

Friday, July 20th, 2007

Consevadores são tão engraçados. Eu acho engraçado gente querendo mandar nos outros bem discretamente(?), querendo interferir nas escolas, transformar tudo em uma guerra contra a desordem, a imoralidade, enfim, o Mal.

Quanto ao aborto, nem se fala. O pessoal que se acha parte do “povo Judaico-Cristão” é a favor da proibição do aborto. A respeito disso Monty Python fez uma música que pode ser lida logo abaixo. Uma beleza essa canção que pode ser conferida no The Meaning of Life e serve hoje como uma luva aos pró-vida. Ora, em minha opinião sincera, quem é contra a liberação do aborto por serem “vidas em potencial perdidas” deveria cantar essa música todos os dias, com a mão no peito, às seis horas da matina. O hino às vidas em potencial.

Every Sperm Is Sacred

There are Jews in the world.
There are Buddhists.
There are Hindus and Mormons, and then
There are those that follow Mohammed, but
I’ve never been one of them.

I’m a Roman Catholic,
And have been since before I was born,
And the one thing they say about Catholics is:
They’ll take you as soon as you’re warm.

You don’t have to be a six-footer.
You don’t have to have a great brain.
You don’t have to have any clothes on. You’re
A Catholic the moment Dad came,

Because

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Let the heathen spill theirs
On the dusty ground.
God shall make them pay for
Each sperm that can’t be found.

Every sperm is wanted.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood.

Hindu, Taoist, Mormon,
Spill theirs just anywhere,
But God loves those who treat their
Semen with more care.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,…
…God get quite irate.

Every sperm is sacred.
Every sperm is good.
Every sperm is needed…
…In your neighbourhood!

Every sperm is useful.
Every sperm is fine.
God needs everybody’s.
Mine!
And mine!
And mine!

Let the Pagan spill theirs
O’er mountain, hill, and plain.
God shall strike them down for
Each sperm that’s spilt in vain.

Every sperm is sacred.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite iraaaaaate

Brézil? Ai love brézil!

Wednesday, June 6th, 2007

Eu acho engraçado que ainda exista alguém que use o patriorismo como referência para formar uma opinião sobre alguma obra de arte. Importa se veio da Mongólia se for legal? Importa? Deosdocéu, esse povo é chato demais.

Além do mais é facilmente iludido.

***

Aí o ator famozão de Holywood (que veio pro Rio de Janeiro uma vez, em mil novecentos e oitenta, numa estadia de meia hora para promover algum filme dele e cair fora) fala em uma daquelas entrevistas que servem para promover um blockbuster: “Brazil? I love Brazil! Copacabãnna, Bôsa Nôváh etc“.

- Nossa, você viu, José? Ele gosta do Brasil, ele é um dos nossos.
- É! o filme dele deve ser bom! Adoro esse ator.

Coitados. Nunca viram a entrevista que ele fez para uma rede da Mongólia…

Mickey Mouse do grupo Hamas

Saturday, May 12th, 2007

Uma das últimas notícias quentes é sobre Farfur, o “Mickey Mouse do grupo Hamas”, aquele que fica ensinando violência e superioridade racial às crianças palestinas. E a emissora que transmite o programa, a Al Aqsa (ô nominho!), já disse que vai manter o programa.

Por favor, o programa é um troço tão ridículo (veja o vídeo) - risos abafados- que nem vale a pena discutir. Os países que se sentem oprimidos sempre tomam essas medidas etnocêntricas, achando que assim vão se livrar da opressão. Ridículo, mas não deixa de ser compreensível.

É lógico que não sou complacente, mas o programa de tevê bestinha é apenas a ponta do iceberg palestino. Eles estão unidos por um inimigo em comum, não importa quantos Mickeys-Farfurs sejam censurados, a ideologia de que eles devem ser o centro do mundo vai permanecer.

Verdade se prova através do sangue?

Saturday, May 5th, 2007

O Catolicismo não pode se vangloriar por não ter criado fundamentalismos tão dementes quanto aqueles que ele critica. Um católico “puro” é uma espécie de homem-bomba em potencial, disposto a abrir mão da própria felicidade em nome dum ideal de martirização. (A diferença, talvez, esteja no fato de que um homem bomba ao menos abre mão de seu sofrimento em nome de um objetivo unanimemente certo entre os seus companheiros, mas o católico não, mesmo quando ele se sacrifica ainda há sombra de dúvida entre inferno e purgatório…)

Ontem, andei dando uma espiada em alguns saites católicos e acabei encontrando um depoimento terrível de um garoto de apenas catorze anos que havia se recusado a negar sua religião.

(…) Se você quiser ser um verdadeiro homem procure ler alguns relatos de mártires, aliás, mando para você um link de um belo relato de um menino de 14 anos que foi morto no México, depois de ter sido brutalmente torturado, por não querer renegar a religião. Só para você ter uma idéia: cortaram-lhe as plantas dos pés e fizeram-no andar pela cidade até o cemitério, durante o caminho ele apanhava, fizeram-lhe cavar o lugar em que seria enterrado e ele não desistiu de ser católico. Claro, você pode achar melhor comer direitinho e dançar ballet, mas isso não são coisas para homens de verdade.

Aqui.

Belo relato!?

É terrível, estúpido, ridículo, mas o catolicismo acha lindo. Qual seria o problema do garoto negar sua religião? Negar sua religião com palavras é o mesmo que deixar de acreditar nela? Se for para defender minha vida e minha felicidade, sinceramente, eu posso até negar que dois mais dois são quatro. No fim das contas, são só palavras. Mais importante é que eu sei que 2+2=4, e se os outros não acreditam pouco importa, um dia eles acreditarão (ou não). Pouco importa.

(Além do mais esse desejo de afirmação só mostra a desconfiança dele em relação à própria religião. Sinceramente, se alguém me mandasse negar que dois mais dois são quatro, eu iria rir, negar, e levar tudo na brincadeira.)

Talvez pareça uma simplificação brutal das coisas: Existem casos, lógico, em que a pessoa é praticamente impossibilitada de alcançar prazer e deve lutar por isso, caso contrário, as coisas, igualmente, deixam de fazer sentido.

Mas se a idolatria à “martirização” continuar assim só haverão mártires no mundo: O mártir que resolveu sacrificar sua vida em nome dum mártir do mártir de Jesus Cristo. E todos perdem. Se já existem muitas pessoas sofrendo no mundo, e se o bem-estar coletivo não passa de uma soma de alegrias individuais de que adianta sofrer gratuitamente?

Pobre garoto.

No fim, a racionalidade de Nietzsche vence:

— Os mártires, diga-se de passagem, foram uma grande desgraça na história: seduziram… A conclusão a que todos idiotas, mulheres e plebeus chegam é que deve haver algum valor em uma causa pela qual alguém afronta a morte (ou que, como o cristianismo primitivo, engendra uma epidemia de gente à procura da morte)

(…)

Os mártires danificaram a verdade… Mesmo hoje, basta uma certa dose de crueldade na perseguição para proporcionar uma honrável reputação ao mais vazio tipo de sectarismo. — Como? O valor de uma causa é alterado pelo fato alguém ter se sacrificado por ela?

O Anticristo.

Andando meio desligado

Thursday, April 19th, 2007

Ultimamente eu tenho me sentido um dos caras mais mal informados da face da terra graças às minhas avaliações (acabaram hoje!) que me afastaram um pouco da internet e do feed reader que mostra mais de onze mil feeds não-lidas, entre notícias e blogues.

O fato é: todo mundo dá mais importância às notícias do que à linha de raciocínio que deve ser seguida para entender o porquê de tais fatos estarem sendo desencadeados. Essas pessoas lêem só para comentar em um botequim ou para dizerem o quanto estão informadas acerca do que anda acontecendo no mundo -blá blá blá-, e fazem nada mais que uma proto-discussão baseada em preconceitos e na opinião da maioria. Uma chatice só.

Além do mais, raramente as linhas de raciocínio mudam, coisa que elimina as vantagens de ler oitenta por cento das notícias que são veiculadas. Por exemplo: mil pessoas morreram no Rio de Janeiro desde o início do ano. E aí? Se fossem mil e trezentas ou setecentas*, os valores não mudariam o fato de que o Rio tem um grande problema com a violência. O que está na essência do fato é infinitamente mais importante e proveitoso do que o fato em si (Neste caso, as causas da violência).

Essa história de que ler notícias aleatoriamente é uma coisa essencialmente boa me lembra da demonstração de inteligência (ironic button pressed) do professor Pasquale Cipro Neto, quando disse que ler, até mesmo bula de remédio, sempre faz bem. Sem querer quebrar o romantismo: pode até ajudar (muito pouco) a aprender regras de acentuação, mas mais nada. Até porque se fosse tudo fácil assim, eu iria me tornar um ótimo diretor assistindo, sei lá, American Pie.

*Foram 725 pessoas mortas no Rio, desde 1° de Fevereiro, o link para essa página foi achado no LLL.

Quase absurdo

Friday, March 30th, 2007

O professor chamou a aluna, Ana, à frente e pediu que ela fizesse a ponta de um lápis que colocou em suas mãos. Ela respondeu que não tinha apontador e perguntou pra sala toda se alguém, por acaso, tinha um apontador para que ela pudesse fazer o favor que o professor havia pedido. Ninguém tinha. Não? Apontador, não? E uma faca? Um estilete? Uma boca disposta a gastar um pouco seus dentes? Nada?

Nada.

O professor expulsou ela da escola e todo mundo ficou feliz porque Ana era chata pra cacete e nunca dividia o bolo de chocolate que costumava levar para comer no recreio.

(Nota: Troquem a escola pela vida, Ana por um criminoso, o professor pelo Estado, a ponta do lápis pelo aperfeiçoamento moral do indivíduo, o apontador pela educação e a expulsão pela pena de morte. E lembrem-se: no Brasil não tem nem boca disposta a gastar os dentes, que dirá escola pra Ana, coitada…)