Archive for the ‘Música’ Category

O hino às vidas em potencial

Friday, July 20th, 2007

Consevadores são tão engraçados. Eu acho engraçado gente querendo mandar nos outros bem discretamente(?), querendo interferir nas escolas, transformar tudo em uma guerra contra a desordem, a imoralidade, enfim, o Mal.

Quanto ao aborto, nem se fala. O pessoal que se acha parte do “povo Judaico-Cristão” é a favor da proibição do aborto. A respeito disso Monty Python fez uma música que pode ser lida logo abaixo. Uma beleza essa canção que pode ser conferida no The Meaning of Life e serve hoje como uma luva aos pró-vida. Ora, em minha opinião sincera, quem é contra a liberação do aborto por serem “vidas em potencial perdidas” deveria cantar essa música todos os dias, com a mão no peito, às seis horas da matina. O hino às vidas em potencial.

Every Sperm Is Sacred

There are Jews in the world.
There are Buddhists.
There are Hindus and Mormons, and then
There are those that follow Mohammed, but
I’ve never been one of them.

I’m a Roman Catholic,
And have been since before I was born,
And the one thing they say about Catholics is:
They’ll take you as soon as you’re warm.

You don’t have to be a six-footer.
You don’t have to have a great brain.
You don’t have to have any clothes on. You’re
A Catholic the moment Dad came,

Because

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite irate.

Let the heathen spill theirs
On the dusty ground.
God shall make them pay for
Each sperm that can’t be found.

Every sperm is wanted.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood.

Hindu, Taoist, Mormon,
Spill theirs just anywhere,
But God loves those who treat their
Semen with more care.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,…
…God get quite irate.

Every sperm is sacred.
Every sperm is good.
Every sperm is needed…
…In your neighbourhood!

Every sperm is useful.
Every sperm is fine.
God needs everybody’s.
Mine!
And mine!
And mine!

Let the Pagan spill theirs
O’er mountain, hill, and plain.
God shall strike them down for
Each sperm that’s spilt in vain.

Every sperm is sacred.
Every sperm is good.
Every sperm is needed
In your neighbourhood.

Every sperm is sacred.
Every sperm is great.
If a sperm is wasted,
God gets quite iraaaaaate

Kid A 17

Wednesday, July 11th, 2007

Eu nem ia postar nada hoje, mas olhem só, meus amigos, eis que algo me inquieta. Eu tava dando uma olhadinha no google, pesquisando sobre Radiohead e tudo mais, então eu achei um boato super legal acerca do Kid A. É mais ou menos assim: Pegue seu Kid A (se for em mp3 melhor ainda), coloque para tocar e coloque outro Kid A pra tocar pouco antes do primeiro chegar aos 17 segundos. É uma experiência alucinógena. Se você não tem o disco, baixe a faixa Idioteque “avulsa” e veja no que dá.

Se você não quiser baixar nada, tente pelo Youtube. E se você quiser um link para algum clipe do Kid A, largue de ser preguiçoso.

Tom Zé também é humano

Friday, June 29th, 2007

Tom Zé - Imprensa Cantada

Eu não quero parecer um daqueles que são do-contra só por ser. Mas eu achei o Imprensa Cantada do Tom Zé um saco.

A impressão que dá é de que, ora o Tom parou no tempo com faixas que criticam a - hã? em 2003?- censura com uma urgência, acreditem em mim, de épocas de ditadura e ora o Zé quer mostrar que lê jornal, criticando o Bush claramente, esfregando isto nos tímpanos dos ouvintes: “Se você já sabe quem/ Vendeu Aquela bomba pro Iraque/ Desembuche:/ Eu desconfio que foi o Bush!/ Foi o Bush!” (Faixa dois, Companheiro Bush).

Quando a arte se mistura com a política de um jeito tão descarado, pode ter certeza que existe problema. Até porque não é só este o defeito. O disco todo parece subestimar a mente do (bom) apreciador: quer ser entendido com urgência, mesmo que isso seja às custas de lugares-comuns tediosos (quase um pleonasmo isso).

Mas mesmo assim, o brasileiro (bicho “rebeldinho” e “antenado” por natureza), contentou-se com os farelos e em toda a internet eu só encontrei uma crítica que falasse sobre o álbum de maneira imparcial. É terrível perceber que basta reproduzir discursos da moda para ser bem aceito por aqui.

Faixas boas, obviamente, existem no álbum. Apesar de serem ofuscadas pela chatisse política, a Vaia de Bêbado não Vale (sobre o escândalo com o João Gilberto), São São Paulo e Língua Brasileira, são palatáveis, mesmo depois de tanta bestice.

Retrospectiva precoce

Saturday, June 16th, 2007

Eu ia adiar a postagem de hoje porque eu não gosto dessa coisa de empilhar posts num mesmo dia, mas, ó céus, eu tô chocado. Acabo de constatar que - apesar do fim do New Order e dos Los Hermanos- minhas bandas favoritas se juntaram para fazer de doismilesete um pulta ano para a música (ou a, he he, minha música). Retrospectiva, NOW.

Começou com o disco do Arcade Fire, que foi lá um tremendo estrondo. Eu já falei dele (bem aqui) e o álbum é bem competente mesmo, não tiro nem boto nada do que eu já disse. A banda manteve a fórmula e mostrou que ela é sim, sustentável e madura.

Depois a belezura de Wilco. Eu não tirava o Young Hotel Foxtrot de meu Windows Media Player (eu sei que o player é uma mérdia, mas sou preguiçoso demais pro Winamp e afins). Aí o Wilco atacou com uma fórmula menos experimental, mais folk e country, mas igualmente linda que alegra qualquer pessoa a um raio de duzentos metros - ou vai dizer que a faixa Either Way não é uma dessas? Desta vez não foi um fantasma que nasceu, mas o Sky Blue Sky. Com direito a trocadilho besta e tudo.

Talvez pouco antes ou pouco depois, não sei muito bem a data do lançamento, a Feist lança o The Reminder. Pode até não ser lá essas coisas todas em comparação com seu segundo álbum, mas não deixa de ser ótimo. Então vem o Stars(!) e “lança” o Do You Trust Your Friends, que verdade é uma “releitura” da obra-prima deles, o Set Yourself on Fire. A proposta é ousada: as bandas amiguinhas do Stars remixaram, remexeram, mudaram ou mutilaram as músicas para formar o Do You Trust. Apesar de não ser tão bom quanto o original, vale muitíssimo a pena.

Mais recentemente o Spoon(!!) ataca com o legalzão Ga Ga Ga Ga Ga, o qual ainda não ouvi o bastante para dar alguma opinião sólida, mas que misturou mais ou menos o Gimme Fiction com o Girls Can Tell. E, hoje mesmo, li que os White Stripes vão lançar, depois de amanhã, um álbum que tem um nome estranhíssimo - tempo para pescar o nome…- Icky Thump, que parece estar legal também.

Além desses teve o Modest Mouse (que eu não gosto muito, mas tem músicas legais), a Björk, e o Architecture in Helsinki que lançaram discos, até onde eu vi, bem falados. Para completar mais ainda uma das melhores bandas de powerpop da atualidade, a The New Pornographers, vai lançar um álbum entitulado Challengers em agosto. The New Pornographers! Pulta merda!

É só esperar para ver o que mais vai sair em 2007… Será que eu ouvi Radiohead? Ou até mesmo um sonho distante do My Bloody Valentine? Tomara que algumas surpresas fiquem para 2008 porque haja coração, viu!

Beauty lies in the eyes of anothers dreams

Friday, June 1st, 2007

Sonic Youth é uma banda tão tosca e diferente que é quase impossível definir as melhores músicas do grupo sem apelar para aquele subjetivismo e pros próprios sentimentos (e de preferência, praqueles que são os mais sujos e loucos, por favor, já que a especialidade da banda é a sujeira mesmo).

Mas apesar da sujeirada e da loucura, o Youth também consegue balancear tudo com uma doçura incrível, mais ou menos como faz o Yo La Tengo. A banda mistura seus experimentalismos com o Shoegaze e dá em coisas ótimas como The Diamond Sea ou até mesmo a…

 

 

Beauty Lies in the Eyes.

Música de qualidade, aqui

Saturday, May 26th, 2007


Música eletrônica, brasileira, da melhor qualidade. Dá pra perceber, fácil, fácil, que além do Maurício Takara ser um tremendo desocupado (confirmando o já dito pelo carinha do Gordurama), ele ainda é um filho da puta extremamente criativo. As misturas do álbum Conta vão de post-rock (incrustado em Sua Sobra na Calçada, ao melhor estilo de Múm de ser) até o samba (molejando na percussivissimazona Meu Mundo em uma Quadra). Extremamente surpreendente. Ao menos para mim, que achava que não existia esse troço de música eletrônica de qualidade por estas terras.

Quem diria que o irmão do baixista de uma banda como o CPM22 pensa…

Você pode baixar os dois primeiros álbuns na página do supracitado ocioso.

Uma teoria sobre álbuns bons e uma resenha

Saturday, May 19th, 2007

Eu tinha uma “teoria” sobre álbuns legais. Era mais ou menos assim: existem dois tipos de álbuns bons, os que você ouve a primeira vez e acha super-cools e aqueles que você ouve, ouve, ouve e demora um pouco até conseguir entender que são legais.

Os álbuns de fácil audição são certinhos. Tudo o que têm de revolucionário é balanceado por coisas mais simples e “ouvíveis”. Geralmente depois de um tempo, o disco se torna chato e você se pergunta “POR QUE EU GASTEI VINTE PILAS COM ISSO?”. Aí você brinca de frisbee com ele e fica tudo OK.

E têm os hard-listening(?). Estes são (ou seriam) aqueles que você ouve dez vezes até achar razoáveis. Na décima segunda vez você vicia. Os álbuns do Radiohead ou os do Yo La Tengo exemplificam bem este tipo de disco.

Entenderam a teoria? Pois bem: tá errada.

Ontem eu andei dando uma pesquisada em álbuns do Kraftwerk e acabei baixando o Computerwelt. Eu já esperava uma coisa legal daquele pessoal. Tive o Autobahn antes da perda trágica de meus álbuns virtuais e gostava bastante do disco apesar de ter tido pouco ânimo para ouvir suas faixas longuíssimas repetidamente.

Mas o Computerwelt é bem diferente.

Começando pelo fato de que, ao contrário do Autobahn, o álbum é incrivelmente familiar. (Músicas eletrônicas são muito usadas na tevê. Quem diz que nunca ouviu Daft Punk, por exemplo, só não se lembra que ouviu: Technologic não cansava de tocar em algum comercial de celular até um dia desses). E é com esse “desgaste experimental” que as faixas do Kraftwerk chegam aos ouvintes que já cansaram de saborear coisas parecidas sem nem saber. Aquela impressão de que já se ouviu aquilo mil vezes - nas vidas passadas também - não me deixou de lado até o fim do disco (AH É! Eu ouvi o disco até o fim, sem me cansar nem um pouquinho, coisa que não acontece frequentemente com discos novos).

É um desafio falar alguma coisa sobre um disco conceitual e eletrônico, até porque seria ridículo sair falando coisas como “o sintetizador fez isso, o sintetizador fez aquilo”, mas vou tentar escrever um pouco sobre algumas faixas.

A primeira, Computerwelt, é uma faixa meio obscura e fermatada. Dá para ter uma base de como o disco vai seguir através dela. Provavelmente todas as outras faixas seguem uma freqüência bem similar também. A segunda faixa, Taschenrechner, usa notinhas saltitantes (lembra um pouco a Make Love, do álbum novo do Daft Punk), mas mesmo assim, as BPM continuam iguaizinhas (não tenho como comprovar essa teoria das batidas por minuto, mas tudo bem). Se eu tivesse uma rede de televisão, definitivamente a usaria para vinhetas do tipo “Você está assistindo…”.

O disco segue sempre com o mesmo conceito - por isso o CONCEITUAL, dã. Avançando um pouco, Computer Liebe, a quinta faixa, é de onde o Coldplay tirou o riff para a música Talk, do X&Y – fiquei louco quando ouvi! É uma das faixas mais agradáveis. O disco encerra com It’s More Fun to Compute, que me lembra um pouco a Truth do New Order.

Não tem nada de revolucionário, o álbum, eu já disse, é todo igualzinho, parece mais uma música só dividida em várias partes. Mas mesmo assim, eu tenho a impressão de que ele seja um álbum de fácil audição que vai demorar a sair do meu player.

Qual é o porquê do troço ser tão bom?

Não sei. Só o Kraftwerk pode responder.

(A resenha também foi postada em meu last.fm.)

My body is a cage

Saturday, March 24th, 2007

Num mundo de bandas que mudam de estilo a cada álbum, como maneira de aumentar a curiosidade dos ouvintes, a já-nascida-madura, Arcade Fire, vai na contramão e mantém seu estilo.

Pode-se dizer que Neon Bible não perde nada para o seu antecessor (perda que é comum graças à expectativa gerada em torno dos segundos discos) e ainda recebe a vantagem de ser mais “constante”. Tudo bem que o disco é um pouco mais fácil, mas é inegável que a fórmula se mantém e tem um gás suficientemente autêntico para emocionar e arrebatar pessoas por um bom tempo.

Wir haben uns im traum verpasst

Wednesday, February 28th, 2007

A banda alemã Einstürzende Neubauten conseguiu, com a música Stella Maris, fazer um dos clipes mais bonitos que você verá durante toda a sua vida. Reparem na letra.

Viva à pirataria descarada! (2)

Sunday, February 25th, 2007

Ou… Todo mundo já sabia que a pirataria é boa e todo mundo gosta:

O último álbum do grupo [My Morning Jacket], “Z”, lançado pela Sony/BMG, foi produzido com um sistema para prevenir cópias. Para que os fãs pudessem burlar o sistema, a banda colocou em seu site oficial um link incentivando o download e a troca de suas canções. Resultado: a Sony/BMG precisou tirar do mercado todos álbuns com o software anti-cópias.


Antes de comentar, me deixem fazer um pré-comentário: HAHAHAHAHA.

Sério, todo mundo já sabia que a pirataria só é ruim para uma parte. No caso da pirataria fonográfica, só é ruim para as gravadoras - e mesmo assim, só teoricamente, pois algumas pesquisas andam comprovando que a venda de um disco não diminui mesmo quando ele “vaza” na internet. As bandas realmente boas, aquelas que não se importam com o lucro mas sim com o conteúdo de sua arte, já estão muito felizes lucrando galões em shows cheios de “downloaders”.

Nesse ponto o capitalismo falhou: ele criou um mercado até em torno da arte. A arte não deve ser feita em função do lucro, mas sim em função de seu próprio conteúdo (e se você considera isso uma utopia, veja de onde eu plagiei essa frase).

Ou seja: Viva à pirataria descarada mais do que nunca!

Ouvindo: Off The Record - My Morning Jacket.