Ironia!
Monday, October 2nd, 2006Acabei de assistir, dessa vez na íntegra e analiticamente, Laranja Mecânica. E agora penso sobre a ironia.
Ninguém pode tirar o mérito de Stanley Kubrick, e muito menos a liberdade de um diretor sobre o roteiro que ele possui. Mas a brincadeirinha de cortar o final original da obra não começou com o filme - e, como eu disse, mesmo que tivesse começado por lá, é direito do diretor.
O problema é que a edição americana de Laranja Mecânica (provavelmente a versão que Stanley usou) cortou o último capítulo pra “manter a coerência”. Batendo prolixamente na mesma tecla: filme é do diretor, F-I-L-M-E. Mas o LIVRO não. No final das contas, uma obra que fala, entre várias coisas, de liberdade de escolha é podada. Ou seja, o leitor não tem direito de escolher o melhor final. Que ironia, não? Antony Burgess deve estar se revirando no túmulo.

