Archive for the ‘Crônicas’ Category

Comparações, algumas delas

Monday, April 28th, 2008

O que queria dizer

Quando era mais novo, disse à minha irmã, para consolá-la, pois estava triste, que “a vida era como um cartão de créditos estragado”. Ela me disse que eu era bobo e que a comparação - que me parecia bem profunda, do alto de meus cinco anos - era uma coisa muito estúpida de se dizer. Nunca mais coloquei “cartão de créditos” e “estragado” no mesmo período, ou sequer no mesmo texto (exceto hoje, é claro).

Mas juro que li hoje - em um livro! numa biblioteca! - uma passagem assim: “A idéia era como um chiclete que fica grudado na sola do sapato”, e outra mais ou menos assim (estou citando de cabeça): “Como um cachorro que confunde faixa amarela com mostarda em salsicha”. Fechei o livro na página doze, mas me senti um pouco alegre por ter notado que havia encontrado um exemplar perfeito para isso aqui que escrevi no último post e, mais ainda, por ter encontrado alguém que é bem mais velho que eu fazendo a mesma coisa que eu fazia aos seis anos: péssimas comparações. E em um livro (risos abafados).

O que devia dizer

Mas, hey, prestatenção, na verdade o que eu devia dizer aqui é que o AOE Blogs mudou alguma coisa, ficou mais bonitinho, aumentou o número de blogs e emporcalhou minha caixa de entradas com uma lista de discussão interminável sobre que cor seria melhor para o objeto fálico que serve de logotipo em nossa comunidade (do lado direito, abaixo da busca). As opções eram verde, rosa e azul-bebê - nem sei que cor é essa, mas pelo nome parece fofa e tal. O verde ganhou, mas Théo (diretor/presidente/déspota esclarecido) é daltônico e colocou o logo vermelho mesmo.

E prum grand finalle textual, meio demorado e talvez chatão, tudo o que eu posso dizer é que com um grupo desses, o máximo que você pode esperar é que nunca poderão ser lidas (em todo o AOE Blogs) comparações de qualquer coisa que seja com “um cartão de créditos estragado” ou com “um chiclete grudado na sola do sapato“. Isso, Frei Betto, chama-se bom senso.

Jorge Pinto Oliveira

Monday, March 17th, 2008

E o professor queria me enganar, ele dizia que “o maior concorrente no vestibular é você mesmo”. Ah, por favor. Eu sei quanto peso, sou magro demais para ser meu maior concorrente. Na realidade, posso até chutar qual seria o maior concorrente; é meio demente, já tenta entrar no curso de jornalismo há seis anos mas não consegue (tá, meio demente é eufemismo). O nome é Jorge Pinto Oliveira e é tão encorpado - principalmente , na, ér, derrière - que precisa de três cadeiras: uma para apoiar a prova, duas para sentar.

Jorge Pinto Oliveira, esse sim é o maior concorrente.

A incrível trajetória do Sr Nerdy rumo à luz cósmica

Wednesday, February 27th, 2008

Sr. Nerdy vivia analisando o mundo atrás das lentes grossas de seus enormes óculos.

Um dia não conseguiu resolver uma equação de décimo nono grau. Sua mania de bater a cabeça contra a quina da escrivaninha quando chegava na metade do cálculo tirava a concentração para resolver tão difícil questão.

Entrou em desespero, espetou o lápis no próprio peito e, ao invés de sangue, liquid paper escorreu por todo o chão do quarto.

A empregada, vendo a cena, gritou, toda chorosa, “Não! No tapete, não!” Mancha de liquid paper é difícil de tirar.

As cinzas do Sr. Nerdy foram colocadas sob uma pilha de livros didáticos, dentro do seu fichário favorito.

Um pouco sobre a cultura do Acre

Sunday, January 20th, 2008

Turunduccos Estolnius, conhecido popularmente como Turundú ou Turungudú é um peixe comumente encontrado em rios e lagos do Acre. Pertence ao gênero Buffus, que possui como característica principal o fato do ósculo verborrágico bilateral ficar comumente no segundo esquálico da nadadeira esquerda.

Os turungudús são comumente conhecidos pelos gritinhos que dão quando algum barqueiro passa por cima de suas nadadeiras. O som se assemelha a um “não pisa no meu calo, porra” dito por um homem gordo e grosso, seguido por um forte som que se assemelha a uma flatulência.

Algumas vezes pode-se ver turungudús discutindo a validade ou não dos escritos de Nietzsche depois de ter sido acometido pela doença e pelo egocentrismo. No entanto é comum que no meio dessas discussões um dos turundús - provavelmente exaltado pelas refutações daqueles que se opõem a seus argumentos sobre a falácia da pós-modernidade e da descristianização do mundo - comece a gritar “Birmânia” intermitentemente, o que torna o restante da discussão impraticável.

Pesquisadores da UFRJ que cairam acidentalmente no Acre durante uma viagem de avião, encontraram vestígios de turungudús notáveis para a história do estado, inclusive um turundú que se tornou governador do estado durante os “anos de chumbo” e que foi o principal responsável pela criação da pré-turungundú-escola que possibilitou a ascensão de muitos destes animais no estado do Acre.

Estima-se hoje que, para cada um terço de cidadão acreano rico (0,689%), existam dez turungudús multimilionários responsáveis pelo ramo da pescaria de Baleias-bêbadas (Balaenoptera Bebatta) - inimigas e predadoras naturais de turundús.

Os turundús certamente são uma forte ameaça para os brasileiros de inteligência mediana que desejam ingressar no mercado de trabalho. Devido a sua imensa habilidade de adaptação nos mais inóspitos e exóticos ambientes (escolas públicas, palácio do planalto e inclusive ambientes fictícios, como o próprio Acre), eles tendem a ser mais e mais procurados para ocupar diversas profissões, o que tem fomentado possibilidades de “cotas para humanos” para os próximos anos.

turundu

Desenho artístico de um Turundú notável enquanto fuma charutos cubanos e discute Hegel.

Aforismos demasiadamente filosóficos a respeito de alguma situação demasiadamente banal

Sunday, July 8th, 2007

Capítulo I: Aniversários

Boate em aniversário de criança (leia-se, menores de quinze anos) devia ser uma coisa proibida. É um pulta gasto de dinheiro, no mínimo. Pior ainda quando o DJ a-cé-fa-lo coloca funk carioca para tocar. Credo. É a prova da destruição completa da moralidade. Ou do senso de ridículo dos pais.

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É impressão minha, ou aquela florzinha que eles colocam nos docinhos é uma espécie de piadinha de festa anti-forasteiros? Exemplo, supondo que um indivíduo nunca tenha visto a frôr sobre a qual eu falo, ele pega, enfia o doce todo na boca, engasga com o enfeite e fica se debatendo no chão, emitindo aqueles ruídos desengasgantes. Eu imagino que haja alguma espécie de ritual pro caso de ocorrer uma situação dessas. Os convidados fazem um círculo em torno do pagão epiléptico e começam a cantar alguma música da Xuxa de trás pra frente ou jogam o bolo na cara do sujeito, dá no mesmo.

Eu hein.

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A pior coisa do mundo deve ser fazer aniversário no Natal. Um, porque ninguém vai se dar o trabalho de comprar dois presentes pra você. Dois, porque você pode ter certeza que toda a sua família, incluindo aquela sua tia chata que mora no Acre - se é que o Acre existe -, vai aparecer. Ou seja, prepare-se, porque ela pode até comprar um presente só (dois, só se for um par de meias mesmo), mas ela vai lhe deixar duplamente constrangido. Esse é o castigo por ter tido a ousadia de nascer no mesmo dia de Jesus! Toma!

Maldito superego

Wednesday, June 27th, 2007

Se existe uma coisa chata é gente que simplifica tudo. Não no sentido de tornar as nossas pobres vidas de mortais mais fáceis, claro (miojo é bom, né?). A simplificação sobre a qual eu falo é oral e casual.

Explico.

Você está sentado, lendo algum livro com um título EXCÊNTRICO, tipo Análise Comportamental dos Animais Tetrapleptígeos - Uma Abordagem Neurocientífica, e algum estrupício tem a coragem de chegar até você, atrapalhar sua leitura e simplificar tudo em algumas perguntas: Que legal esse livro, é sobre o quê? É bom?

Não sei quanto a você, mas a vontade que me dá é de enfiar o livro goela abaixo do tosco que faz uma pergunta dessas. Mas aí eu me contenho -”Se eu tou lendo é porque quero saber, não é?!”- e respondo: Ah, é legalzinho, rs.

Maldito superego.

Back to the Future

Saturday, June 23rd, 2007

Num futuro distante, bem distante mesmo, tipo o ano 3521, os arqueólogos semi-robôs que estiverem vasculhando a Terra (que foi quase completamente destruída por causa da grande guerra entre a China e os Estados Unidos) vão encontrar um prédio que permaneceu, até onde é possível, de pé. Eles entrarão, examinarão, mexerão em tudo, escancararão gavetas, vasculharão arquivos (tudo mais-que-parcialmente destruído, é claro) e encontrarão, entre pilhas de cadeiras destruídas e de pó de pó de giz, um papel rabiscado que, oh!, sobreviveu à ação tempo.

Eles vão olhar tudo o que tem escrito, vão dissecar o troço com seus olhos positrônicos, vão pegar máquinas complícadíssimas leitoras de raios gama-x-mega-blast e a única informação conclusiva que conseguirão obter é um What the fuck is that? - em inglês, claro, a língua do futuro.

Pois é, nunca saberão que o papel foi elaborado em 2007 por um professor. Era uma prova de física.

Hã?

Monday, April 23rd, 2007

- Eu já namorei três garotas de uma vez só. Disse o Carlão, todo metido a bonzão, enquanto o resto do pessoal que estava na roda, Túlio e Edu, olhavam com aquela cara de “essa é mole…”.
- Grandsbosta… - disse Túlio- Eu já comi manga e bebi leite logo depois, e tou vivo até hoje, contando a história e tudo.

Naquela altura já havia se instalado um desafio oficial entre amigos. Namorar três garotas, comer manga e depois beber leite… É um desafio daqueles que só são vencidos quando o último profere a palavra demonstrando toda a sua sapiência. (Sapiência, que, neste caso, seria algo como matar uma galinha com os dentes ou beber três garrafas de Vodka. Seguidas.)

Enquanto o Eduardo ficava pensando, Carlão resolveu esquentar mais uma vez o desafio.
- Ah, isso preu não falar do dia em que capotei o carro três vezes e saí vivinho.
- Capotou o carro? Só? - Todo mundo olhou pro Edu - Eu já sobrevivi à queda de avião!

Só foi o Edu fechar a boca que ele sentia o desconserto que as palavras dele haviam causado nos outros. Ele venceu! Em breve estariam fazendo oferendas e todas essas coisas pra ele, o grande mestre da…

- …Sobreviveu a queda de avião? Ih, essa aí não cola não.
- É, Túlio tem razão, cara. Se fosse pra gente mentir nem ia valer a pena ter esse papo aqui. Em boca fechada não entra mosca…
- …
- Falando nisto, eu já engoli uma mosca!
- Hã?

O ciborgue bicentenário

Sunday, March 11th, 2007

Antigamente, coisa de dois, três anos atrás, nós tinhamos mais controle sobre nossos computadores.

Por exemplo, meu último computador ainda me obedecia completamente quando eu apertava o botão “desligar” na CPU. Era repentino, causava danos ao windows (98, pelo que me lembro), mas ainda assim era uma afirmação de meu controle sobre a maquininha.

Meu computador atual não funciona assim.

Quando eu aperto o botão da CPU é ele quem escolhe a hora melhor para desligar completamente. Eu não posso, por exemplo, foder com o HD dele da maneira que eu sempre estive acostumado a fazer quando eu ficava com raiva de meu computador antigo: apertando o reset milhões de vezes. Até a hora de resetar é escolha do cretino!

Daqui a alguns anos acredito que nem puxar a maldita tomada vai funcionar mais. Os computadores vão ser ligados diretamente na rede elétrica e não poderemos mais conter o poderio dos quilowatts, megawatts e watts que vão insistir em correr até o interior de nossas casas, direto para nossos cérebros.

O eterno retorno

Sunday, March 4th, 2007

Curso-relâmpago de filosofia: O que Nietzsche queria dizer com Eterno Retorno?

Mundo Helenístico
- Faça isso logo, meu filho! Por acaso eu estou falando grego!?
- ?? £o, ????????.

Mundo Globalizado
- Faça isso logo, meu filho! Por acaso eu tou falando inglês!?
- No, you aren’t.

Conclusão: As mães nunca mudam.